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Grupos de Comunicação: A panela de pressão

Por Paula Fidalgo


Em Portugal nos últimos tempos tem-se assistido a fusões, concentrações e cruzamento de investimentos nos media. São cada vez mais os grupos industriais, económicos e financeiros que lideram e dominam as diferentes actividades dos media, desde a imprensa escrita à rádio, passando pela “caixinha mágica” que mudou o mundo até à Internet. Grupos que não dominam apenas o mercado económico, mas também a publicidade, o mundo das ideias e da circulação da informação, condicionando o poder político, o funcionamento do regime democrático e a opinião pública.

Tal concentração está afectar não só o pluralismo da informação e da liberdade de imprensa, como também os jornalistas. Em causa estão valores como os direitos de autor dos jornalistas, os crescentes abusos de utilização de textos e peças jornalísticas em outras publicações do mesmo grupo detentor do jornal, rádio, televisão para que trabalham. A tão proclamada “convergência de sinergias” conduz à redução de efectivos e à precariedade do trabalho com as consequências nefastas que acarretam: “No campo da imprensa, o trabalho a prazo e a precariedade não são apenas questões laborais, mas antes questões de liberdade de imprensa” - Diana Andringa. 
Em causa fica também a autonomia dos próprios “contadores de estórias” sempre com o risco de, entrando em conflito com a administração, serem despedidos. E caso o sejam, estes jornalistas vão depois encontrar muitos obstáculos na procura de emprego, visto que o mesmo grupo é detentor de uma imensidão de órgãos de comunicação social.
Perante este cenário, é urgente que se tomem medidas para pôr fim à concentração desenfreada dos media, onde tudo funciona segundo uma lógica do dinheiro/lucro. É necessário que em Portugal se evite enquanto é tempo o exemplo italiano, onde apenas um jornal foge ao controlo do grande magnata da Comunicação Social, Silivio Berlusconi.
A concentração da propriedade dos media em meia dúzia de mãos é a nova forma de matar o jornalismo e, por consequência, os jornalistas. Ela tende a acabar com a diversificação dos conteúdos informativos, em nome do “aproveitamento das sinergias”.
Deve ser por isso, aliás, que hoje se fala cada vez menos em jornalismo e cada vez mais em “produção de conteúdos”, evidentemente que muitíssimo mais abrangente e onde cabe tudo.
A situação está a evoluir de uma forma preocupante. O Estado, na maior parte das vezes têm-se comportado como um mero espectador ou então quando intervém tem sido mais impulsionador da concentração do que regulador. Exemplo disso mesmo foi o caso Marcelo Rebelo de Sousa. No dia 11 de Outubro de 2004, o ex primeiro-ministro, Santana Lopes fez uma declaração à hora dos telejornais para a iludir a comoção que varia o País após a conturbada saída de Marcelo da TVI. Os condimentos de Santana Lopes para tentar adoçar o coração dos portugueses foram o anúncio de medidas sempre caras aos eleitores: aumentos de salários na Função Pública, subida das pensões e baixa do IRS. Durante 14 minutos Santana Lopes falou evitando qualquer pergunta incómoda dos jornalistas.
A reviravolta é típica da forma de actuar dos consultores de marketing político, aqueles que os norte-americanos e britânicos já designaram por spin-doctors. “Fabricar” factos, domesticar os media ou, quando tal se torna impossível dispensá-los, eis a cartilha de qualquer spin-doctors que se preze.
Relembro também, que em Setembro de 2003, o Bloco de Esquerda (BE) apresentou na Assembleia da República, um ante-projecto lei sobre a concentração da propriedade de meios da comunicação social. Contudo, o mesmo nem sequer subiu a plenário porque a maioria rejeitou problematizar o assunto. Será que agora Francisco Louçã, líder do BE irá ressuscitar o projecto? Esperamos que sim!!!
A concentração dos meios de informação conduz-nos inevitavelmente à manipulação da informação. É fundamental que os jornalistas saibam para quem trabalham e quem controla a informação que consumimos. Questionar a matéria jornalística, privilegiar um assunto em detrimento de outro, deve ser um direito e consequentemente um dever de qualquer cidadão.
Enquanto estudante de Comunicação Social e cidadã não posso e não quero ficar indiferente. Penso que esta polémica deveria ser alvo de um debate público sério e rigoroso, assim como merecer a devida atenção do poder político que parece estar adormecido perante a gravidade da situação que se nos apresenta.
Hoje, tal como defende Ignacio Ramonet, na sua obra Tirania da Comunicação, para os patrões da indústria, do entretenimento e da comunicação, “a informação é concebida como uma mercadoria”. Tudo está sujeito às leis do mercado, da oferta e da procura. Leis que se sobrepõem a outras regras, nomeadamente cívicas e éticas. O que interessa é a profusão de alianças sem fronteiras, de fusões e concentrações.
Esta nova estratégia está a mudar claramente os conceitos da informação, actualidade da informação, o tempo da informação e a veracidade da informação.~

Em Portugal nos últimos tempos tem-se assistido a fusões, concentrações e cruzamento de investimentos nos media. São cada vez mais os grupos industriais, económicos e financeiros que lideram e dominam as diferentes actividades dos media, desde a imprensa escrita à rádio, passando pela “caixinha mágica” que mudou o mundo até à Internet. Grupos que não dominam apenas o mercado económico, mas também a publicidade, o mundo das ideias e da circulação da informação, condicionando o poder político, o funcionamento do regime democrático e a opinião pública. Tal concentração está afectar não só o pluralismo da informação e da liberdade de imprensa, como também os jornalistas. Em causa estão valores como os direitos de autor dos jornalistas, os crescentes abusos de utilização de textos e peças jornalísticas em outras publicações do mesmo grupo detentor do jornal, rádio, televisão para que trabalham. A tão proclamada “convergência de sinergias” conduz à redução de efectivos e à precariedade do trabalho com as consequências nefastas que acarretam: “No campo da imprensa, o trabalho a prazo e a precariedade não são apenas questões laborais, mas antes questões de liberdade de imprensa” - Diana Andringa. Em causa fica também a autonomia dos próprios “contadores de estórias” sempre com o risco de, entrando em conflito com a administração, serem despedidos. E caso o sejam, estes jornalistas vão depois encontrar muitos obstáculos na procura de emprego, visto que o mesmo grupo é detentor de uma imensidão de órgãos de comunicação social. Perante este cenário, é urgente que se tomem medidas para pôr fim à concentração desenfreada dos media, onde tudo funciona segundo uma lógica do dinheiro/lucro. É necessário que em Portugal se evite enquanto é tempo o exemplo italiano, onde apenas um jornal foge ao controlo do grande magnata da Comunicação Social, Silivio Berlusconi.A concentração da propriedade dos media em meia dúzia de mãos é a nova forma de matar o jornalismo e, por consequência, os jornalistas. Ela tende a acabar com a diversificação dos conteúdos informativos, em nome do “aproveitamento das sinergias”.Deve ser por isso, aliás, que hoje se fala cada vez menos em jornalismo e cada vez mais em “produção de conteúdos”, evidentemente que muitíssimo mais abrangente e onde cabe tudo.A situação está a evoluir de uma forma preocupante. O Estado, na maior parte das vezes têm-se comportado como um mero espectador ou então quando intervém tem sido mais impulsionador da concentração do que regulador. Exemplo disso mesmo foi o caso Marcelo Rebelo de Sousa. No dia 11 de Outubro de 2004, o ex primeiro-ministro, Santana Lopes fez uma declaração à hora dos telejornais para a iludir a comoção que varia o País após a conturbada saída de Marcelo da TVI. Os condimentos de Santana Lopes para tentar adoçar o coração dos portugueses foram o anúncio de medidas sempre caras aos eleitores: aumentos de salários na Função Pública, subida das pensões e baixa do IRS. Durante 14 minutos Santana Lopes falou evitando qualquer pergunta incómoda dos jornalistas. A reviravolta é típica da forma de actuar dos consultores de marketing político, aqueles que os norte-americanos e britânicos já designaram por . “Fabricar” factos, domesticar os media ou, quando tal se torna impossível dispensá-los, eis a cartilha de qualquer que se prezeRelembro também, que em Setembro de 2003, o Bloco de Esquerda (BE) apresentou na Assembleia da República, um ante-projecto lei sobre a concentração da propriedade de meios da comunicação social. Contudo, o mesmo nem sequer subiu a plenário porque a maioria rejeitou problematizar o assunto. Será que agora Francisco Louçã, líder do BE irá ressuscitar o projecto? Esperamos que sim!!! A concentração dos meios de informação conduz-nos inevitavelmente à manipulação da informação. É fundamental que os jornalistas saibam para quem trabalham e quem controla a informação que consumimos. Questionar a matéria jornalística, privilegiar um assunto em detrimento de outro, deve ser um direito e consequentemente um dever de qualquer cidadão.Enquanto estudante de Comunicação Social e cidadã não posso e não quero ficar indiferente. Penso que esta polémica deveria ser alvo de um debate público sério e rigoroso, assim como merecer a devida atenção do poder político que parece estar adormecido perante a gravidade da situação que se nos apresenta.Hoje, tal como defende Ignacio Ramonet, na sua obra , para os patrões da indústria, do entretenimento e da comunicação, “a informação é concebida como uma mercadoria”. Tudo está sujeito às leis do mercado, da oferta e da procura. Leis que se sobrepõem a outras regras, nomeadamente cívicas e éticas. O que interessa é a profusão de alianças sem fronteiras, de fusões e concentrações. Esta nova estratégia está a mudar claramente os conceitos da informação, actualidade da informação, o tempo da informação e a veracidade da informação.


 

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Comments

Cara Paula, a concentração dos media é, sem dúvida, preocupante,quer do ponto de vista dos jornalistas (compressão do mercado de trabalho potencial), quer dos cidadãos em geral (diminuição do pluralismo). Contudo, numa economia de mercado, o mais que pode exigir ao Estado é que regule essa matéria, não apenas de um modo geral (Autoridade da Concorrência, entidade transversal), como em termos específicos (entidade reguladora dos media, esperada a todo o momento, para substituir a mal afamada AACS). Para além de normas de bom funcionamento de mercado, resta o olhar atento da auto-regulação... é pouco? Sinais dos tempos.

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